No embalo dos roncos

Basta o parceiro dormir para começar aquela incômoda orquestra. Saiba o que se pode fazer para minimizar a barulheira noturna

Todas as noites, mal a cabeça encosta no travesseiro, surgem os roncos de trombone e os assobios dignos de trompete. Enquanto o regente da orquestra dorme tranqüilamente, quem sofre é o companheiro (ou companheira, na maioria das vezes) de cama. É que o problema acomete sobretudo os homens. Ao som de um verdadeiro suplício, muita gente nem consegue pregar os olhos. Uma pesquisa da Associação Britânica de Ronco e Apnéia realizada com casais estima que o roncador faz o parceiro perder 2 anos de sono em 24 de vida. Pois é, apesar de tanto barulho e chateação, é justamente quem dorme ao lado que muitas vezes detecta os roncos e os comunica à sua cara-metade. E isso é essencial não só para dar fim à barulheira como para descobrir doenças sérias, como a apnéia.

Mas, afinal, pode-se fazer alguma coisa para interromper o festival de roncos? Sim... no entanto, já vale adiantar, as medidas são apenas paliativas. É possível, por exemplo, cutucar o parceiro para que ele, sem despertar, pare de roncar - só não saia assustando ninguém, por favor. "O ideal é que a pessoa que ronca não fique com a barriga para cima", afirma o otorrinolaringologista e especialista em sono Lucas Lemes, pesquisador da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. "Essa posição permite que a língua, mais relaxada, recue, o que facilita a obstrução da garganta", explica. Por isso, aconselhe o roncador a dormir de bruços ou de lado - nessa posição, além de melhorar o fluxo respiratório, ele ainda beneficia a própria coluna.

Independentemente do plano usado para impedir a betoneira, a verdade é que ela tende a ser reativada minutos depois. Por mais que você acorde ou ajude o parceiro a virar-se na cama à noite, nada disso garante que os roncos serão exterminados. Assim, a estratégia mais eficaz é pedir-lhe que vá a um especialista - só diagnosticando e tratando a causa de tantos ruídos pode-se abafá-los de vez. "Muitas pessoas nem sabem que roncam e, às vezes, os próprios familiares as obrigam a procurar auxílio médico", diz Lemes, que também é autor do livro "Viver sem roncos" (Editora Revinter). E não é que eles têm razão? Só no consultório dá para desvendar a origem da barulheira e até surpreender ameaças graves, como a apnéia do sono.

Crianças que roncam

Sim, elas também podem abrigar pequenas orquestras. Nos adultos, os roncos ocorrem geralmente devido à flacidez da faringe, algo que costuma acompanhar o avançar dos anos. Mais relaxada - sobretudo durante o sono -, ela restringe a passagem do ar, provocando as vibrações que caracterizam o ronco. Nos pequenos, porém, são outras as causas da barulheira noturna. Ela está relacionada a rinites alérgicas e carnes esponjosas nas narinas, problemas que dificultam a passagem do ar pelo nariz e obrigam a criança a respirar pela boca, além de levar a encrencas nas amígdalas que, inchadas, reduzem a entrada de ar pela garganta.

Fonte: Revista Saúde.
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