Ácidos graxos ômega-3 beneficiam pacientes com insuficiência cardíaca


Data: 21/11/2008
Autor(a): Leticia De Nardi Campos
Fotógrafo: Camila G. Marques
A suplementação com ácidos graxos poliinsaturados ômega-3 (AGPI n-3) melhorou a morbidade e mortalidade de pacientes com insuficiência cardíaca sintomáticos, enquanto a estatina (administração de 10 mg) falhou ao não demonstrar nenhum efeito benéfico neste mesmo grupo de pacientes, segundo dois recentes estudos publicados na revista científica The Lancet.
Os estudos foram randomizados, duplo-cegos, placebo-controlados e contaram com a participação de 326 centros cardiológicos e 31 centros de medicina interna por toda a Itália. Homens e mulheres acima de 18 anos portadores de insuficiência cardíaca (classificação entre II e IV segundo a New York Heart Association) foram recrutados.
No primeiro estudo, sobre a suplementação de ômega-3, os critérios de exclusão foram: pacientes que já tomavam suplemento de AGPI n-3, gravidez ou com doenças associadas, como o câncer.
Os 6.975 pacientes randomizados para receber uma cápsula diária contendo 1g de AGPI n-3 (n=3.494) ou placebo (n=3.481) foram acompanhados em intervalos regulares por quase 4 anos (3,9 anos). Todos os pacientes foram estimulados a continuar com seu tratamento medicamentoso regular para insuficiência cardíaca.
Após este período de acompanhamento, o tratamento com AGPI n-3 reduziu o risco de mortalidade em 9% e a mortalidade e admissão hopitalar por causas cardiovasculares em 8%. A mortalidade total do grupo com suplementação foi de 27% e, no grupo placebo, 29%. A redução absoluta de risco de morte foi pequena, 1,8%, mas significativa. A admissão hospitalar por eventos cardiovasculares foi de 57% no grupo AGPI n-3 versus 59% no placebo. Esta redução de risco apresentou significância estatística marginal.
“Demonstramos que o tratamento com ômega-3 é simples, efetivo e seguro em grande parte da população de pacientes com insuficiência cardíaca que está recebendo cuidados clínicos padrões em hospitais”, dizem os pesquisadores.
No editorial da mesma edição da publicação Lancet, dr. Gregg Fonarow (Universidade da Califórnia, EUA) comenta o estudo acrescentando que “questões relacionadas ao mecanismo de ação, dose ótima e formulação ainda permanecem, mas a suplementação com AGPI ômega-3 poderia entrar na lista das terapias baseadas em evidências que ajudam a prolongar a vida de pacientes com insuficiência cardíaca”.
No segundo estudo, sobre o benefício do uso de estatinas em insuficiência cardíaca, um total 4.574 pacientes foram randomizados para receber diariamente 10 mg de rosuvastatina (n=2.285) ou placebo (n=2.289) e acompanhados em intervalos regulares por quase 4 anos (3,9 anos).
Após o período de acompanhamento, não houve diferença entre os grupos nos objetivos primários (mortalidade e admissão hospitalar). No grupo que recebeu estatina, 29% dos pacientes morreram e 57% foram admitidos no hospital, enquanto no grupo placebo, 28% dos pacientes morreram e 56% tiveram admissão hospitalar. Em ambos os grupos, desordens gastrintestinais foram as reações adversas mais freqüentes.
Efeito benéfico da rosuvastina foi observado somente nos objetivos secundários, com uma diminuição no LDL colesterol de 27% em três anos (média inicial de 123 mg/dL para final de 90 mg/dL).
Os pesquisadores fazem uma ressalva quanto ao benefício encontrado: “a rosuvastatina ou qualquer outro tipo de estatina não deve ser considerada como medicamento para diminuição do LDL colesterol, pois este benefício não se traduziu em qualquer efeito clínico benéfico para pacientes com insuficiência cardíaca”.
O editor, dr. Gregg Fonarow, também comenta: “apesar da terapia com estatina diminuir as concentrações de LDL colesterol, ser bem tolerada e razoavelmente segura, não produz qualquer benefício ou melhora em pacientes com insuficiência cardíaca. Uma vez estabelecida a insuficiência, as estatinas não previnem o progresso da doença cardíaca”.
1. GISSI-HF investigators. Effect of n-3 polyunsaturated fatty acids in patients with chronic heart failure (the GISSI-HF trial): a randomised, double-blind, placebo-controlled trial. The Lancet. 2008; 372(9645): 1223- 30. (doi:10.1016/S0140-6736(08)61239-8)
2. GISSI-HF investigators. Effect of rosuvastatin in patients with chronic heart failure (the GISSI-HF trial): a randomised, double-blind, placebo-controlled trial. The Lancet. 2008;372(9645):1231-39. (doi:10.1016/S0140-6736(08)61240-4)
3. Gregg C Fonarow. Statins and n-3 fatty acid supplementation in heart failure. The Lancet. 2008;372(9645):1195-6. (doi:10.1016/S0140-6736(08)61241-6)
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