Vitamina B3
Uma importante fonte para satisfazer as necessidades de niacina é a sua biossíntese a partir do triptofano. Porém, esse processo depende de vários fatores nutricionais e hormonais.
Deficiências de vitamina B6, B2 ou ferro podem retardar a conversão, uma vez que são cofatores para as enzimas que participam desse processo (ALMEIDA ; CARDOSO, 2006).
A niacina engloba duas substâncias ativas, a nicotinamida e o ácido nicotínico, sendo que o ácido nicotínico é convertido facilmente em nicotinamida. Tanto a absorção da nicotinamida, como a do ácido nicotínico ocorre por difusão no estômago e no intestino delgado (ROBERTO et al., 2009).
A niacina é indispensável para formar importantes coenzimas do metabolismo, a nicotinamida-adenina dinucleotídeo (NAD) e a nicotinamida-adenina dinucleotídeo fosfato (NADP). Essas coenzimas podem ocorrer na forma oxidada (NAD+ e NADP+) ou reduzida (NADH e NADPH) (ALMEIDA ; CARDOSO, 2006; MOREIRA, 2007).
O NAD e o NADP são necessários em vários processos metabólicos. O NAD desempenha uma função de transportador de elétrons na respiração intracelular e participa da oxidação das moléculas energéticas. O NADP age como doador de hidrogênio nas biossínteses redutoras de ácidos graxos e esteróides, além de também participar da oxidação das moléculas energéticas (ALMEIDA ; CARDOSO, 2006; MOREIRA, 2007).
A deficiência de niacina acarreta a pelagra, cujos sintomas consistem em alterações cutâneas, digestivas e neurológicas. Na pele, ocorrem alterações na forma de eritema, descamação e pigmentação dos membros inferiores e superiores. As alterações digestivas consistem em acloridria, gastrite, estomatite, glossite, podendo ocorrer vômitos, diarréia ou constipação. Os sintomas neurológicos consistem em depressão, apatia, tremores, cefaléia, fadiga, perda de memória e demência profunda (ALMEIDA ; CARDOSO, 2006; MOREIRA, 2007).
De acordo com as DRIS, a recomendação para o consumo de niacina é de 16 mg/dia para homens adultos e de 14 mg/dia para mulheres adultas.
Alguns alimentos que são boas fontes dessa vitamina são as carnes, aves, peixes, fígado, leite, cereais, leguminosas e oleaginosas (ALMEIDA ; CARDOSO, 2006).
Em certos alimentos, como o trigo e o milho, a niacina pode estar ligada a macromoléculas, impedindo sua disponibilidade. Perdas da vitamina também podem ocorrer durante o preparo dos alimentos por hidrólise e dissolução na água de cocção. (ALMEIDA ; CARDOSO, 2006).
Na tabela 1 abaixo encontram alguns alimentos e suas respectivas quantidades de niacina por 100g do alimento.
Tabela 1 – Quantidade de niacina por 100g do alimento.
| Alimento (100g) | Quant. de niacina (mg) |
Arroz branco | 1,83 |
Amendoim | 12,07 |
Atum grelhado | 10,54 |
Aveia | 0,96 |
Feijão | 0,58 |
Figado | 17,47 |
Filé-mignon assado | 3,41 |
Frango (peito) assado | 13,71 |
Leite | 0,11 |
Lentilha | 1,06 |
FONTE: Tabela de Composição Química dos Alimentos da UNIFESP, 2001.
Nota: O ácido nicotínico tem sido usado em grandes doses como fármaco, com o intuito de reduzir as concentrações séricas de colesterol, triglicérides e aumentar os níveis de HDL colesterol. Aliás, o ácido nicotínico é considerado uma das drogas hipolipemiantes que mais aumenta o HDL colesterol (SANTOS, 2005; ALMEIDA ; CARDOSO, 2006).
Nesses casos, as altas doses podem estar associadas a efeitos colaterais que desaparecem após diminuição das doses ou interrupção da administração, como enrijecimento e rubor da pele, prurido, urticária, vômitos, diarréia, timpanismo, constipação, hiperuricemia, hiperglicemia e anomalias da função hepática e ocular (SANTOS, 2005; ALMEIDA ; CARDOSO, 2006).
Referências Bibliográficas
ALMEIDA, L.C; CARDOSO, M.A. Tiamina, Riboflavina e niacina. In: Cardoso MA, coordenadora. Nutrição e metabolismo: nutrição humana. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2006. p. 133-53.
MOREIRA, A.V.B. Vitaminas. In: Silva SMCS, Mura JDP. Tratado de alimentação, nutrição e dietoterapia. São Paulo: Ed Roca; 2007. p.77-104.
ROBERTO, T.S; MAGNOI, D; CUKIER, C. Aplicações Clínicas das Vitaminas do Complexo B [artigo online] [acesso em 27 fev 2009] Disponível em:
SANTOS,R.D. Farmacologia da niacina ou ácido nicotínico. Arquivo Brasileiro de Cardiologia, v.85, n.5, p.17-9, 2005.
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