Qualidade e segurança alimentar em foco no Fórum de Agronegócios

Os bancos de alimentos no Brasil trabalham de forma desarticulada, no entender do economista Walter Belik, que coordena o Núcleo de Estudos e Pesquisas em Alimentação (Nepa) da Unicamp. Mas é possível, segundo ele, encontrar algumas saídas inovadoras para a questão. Uma delas é ter um código de ética específico, outra a unificação de sistemas, outra ainda maior representação junto aos governos e entidades de classe.

Documentação legal unificada e certificação de qualidade em termos de colheitas urbanas, colheitas pontuais, entidades assistenciais receptoras e bancos de alimentos de diferentes níveis são também outras alternativas. Cerca de 250 bancos de alimentos estão distribuídos no país. O tema integrou o Fórum Permanente de Agronegócios realizado nesta quinta-feira no Centro de Convenções da Unicamp, organizado pelo Nepa e Faculdade de Engenharia de Alimentos e promovido pelas Coordenadorias Geral da Universidade (CGU) e de Relações Institucionais e Internacionais (Cori).

BelikO economista concluiu que o combate ao desperdício de alimentos e a promoção da segurança alimentar e nutricional caminham juntos, que as políticas de apoio assistencial via bancos de alimentos devem garantir a autonomia dos beneficiários e não há como expandir o papel dos bancos de alimentos sem a coordenação e a sinergia das ações. Os bancos de alimentos, relatou ele, surgiram em 1967 nos EUA. Sua concepção hoje é receber alimentos que não foram consumidos, mas que estão em boas condições para tal. Belik afirmou que no momento aguarda-se a aprovação da Lei 4747/1998, chamada Lei do Bom Samaritano, agora tramitando no Congresso, que isenta de impostos os doadores de alimentos.

PúblicoDemétrio Vilagra, vice-prefeito de Campinas e presidente do Ceasa, presente no Fórum, recordou que o programa Fome Zero nasceu da participação de pesquisadores da Unicamp. Contou que sua cidade está muito empenhada em contribuir para que números estarrecedores, como aquele que mais de 900 milhões de pessoas passam fome no mundo, diminuam. Campinas tem hoje 120 entidades afiliadas ao banco de alimentos. Cerca de 7 mil cestas básicas são distribuídas por mês e mais de 400 toneladas de hortifrutigranjeiros. “Reforçamos o valor da merenda e criamos programas de intolerância à lactose e de obesidade no município”, revelou Demétrio.

Jesus Paulo Ricca, secretário de segurança alimentar e agricultura e abastecimento da Prefeitura de Suzano, destacou que sua cidade também tem levado a sério a segurança alimentar. Ter colocado em prática um restaurante popular, um banco de alimentos e ainda aguardando a criação do quarteirão da segurança alimentar, o secretário observou que alguns setores produtivos já não jogam mais o alimento fora. “Somos contra o desperdício”, enfatizou. A cidade tem 63 entidades cadastradas no banco de alimentos e mais de 5.000 famílias sendo beneficiadas deste produto.
Fonte: Unicamp
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