Nutrição, Resistência a Insulina e Fertilidade na Mulher
A infertilidade é o resultado de uma falência orgânica devida à disfunção dos orgãos reprodutores, dos gametas ou do concepto. Um casal é infértil quando não alcança a gravidez desejada ao fim de um ano de vida sexual contínua sem métodos contraceptivos e é um problema que afeta de 10 a 15% dos casais (HULL et al., 1985; Associação Portuguesa de Fertilidade, 2009).
Mais de 7 milhões de mulheres nos EUA têm uma capacidade diminuída para ter filhos e, em 2025, espera-se que quase 8 milhões de mulheres enfrentem esse problema (CHANDRA et al., 2005).
Tecnologias de reprodução assistida foram desenvolvidas para superar a infertilidade, mas o alto custo deste tratamento torna-o menos acessível para tratar a infertilidade na maioria da população. Deste modo, é importante identificar fatores de risco modificáveis para impedir a infertilidade.
Diversas evidências sugerem que a resistência à insulina pode ser um determinante importante da função ovulatória e na fertilidade (HJOLLUNDj et al., 1999; AZZIZ et al., 2001; VRBIKOVA et al.2002; Diabetes Prevention Program Research Group, 2005).
Alguns fatores como sobrepeso, obesidade e sedentarismo que estão relacionados diretamente com a resistência a insulina, têm sido associados ao aumento do risco de infertilidade devido a disfunção da ovulação, pois a resistência à insulina, faz com que o corpo se torne insensível à insulina que produz, levando a elevados níveis circulantes de insulina. Este, por sua vez, provoca desequilíbrios hormonais, como aumento da testosterona e outros andrógenos, associados com Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP). O desequilíbrio hormonal leva à sintomas de SOP como a menstruação irregular, esterilidade, excesso de manchas da pele facial e pêlos, acne e perda de cabelo , assim como pode impedir a ovulação, tornando impossível engravidar (GARG et al., 1994; DOUGLAS et al., 2006).
Sabe-se que a qualidade e a quantidade de carboidratos na dieta influencia no metabolismo da glicose, na demanda ou resistência à insulina em indivíduos saudáveis bem como bem como em diabéticos e mulheres com síndrome dos ovários policísticos (SOP) (JEPPSEN et al., 1997; MURAKAMI et al., 2006; GARG et al., 1994; DOUGLAS et al., 2006).
Chavarro, et al.,(2009), observaram que a ingestão de carboidratos com alta carga glicêmica e o índice glicêmico da dieta foram positivamente relacionados à infertilidade ovulatória e também que o alto consumo desses alimentos é uma condição presente entre as mulheres nulíparas (sem filhos). Hjollund et al., (1999) associaram a diminuição da fertilidade com níveis mais elevados de hemoglobina glicosilada e encontraram características metabólicas semelhantes nessas mulheres com mulheres com SOP, com diabetes tipo II, sobrepeso e obesidade.
Douglas et al. (2006) ao fazer um recordatório alimentar, verificou que mulheres com SOP tinham uma maior ingestão de alimentos com alto índice glicêmico especialmente o pão branco e batata frita.
Outra influencia na alimentação é o consumo de gorduras trans que também tem sido associada à maior inflamação, resistência à insulina, e o risco de diabetes tipo 2 (DOUGLAS, et al. 2006).
Ajustes adequados na alimentação podem diminuir os níveis de insulina e melhorar muitos sintomas da SOP. Dieta com baixa quantidade de carboidratos, e o consumo de alimentos com baixo índice glicêmico é importante para melhorar a resistência à insulina e consequentemente problemas como a infertilidade (DOUGLAS, et al. 2006).
Portanto, diagnosticar e tratar a resistência à insulina pode ser uma chave na regulação da função ovulatória e na fertilidade em mulheres saudáveis.
Referências Bibliográficas:
ASSOCIAÇÃO PORTUGUESA DE FERTILIDADE. Disponível em : http://www.apfertilidade.org/web/index.php/o-que-e-a-infertilidade/51-infertilidade/143-a-infertilidade-e-uma-doenca. Acesso em 01 de outubro de 2009.
AZZIZ, R; EHRMANN, D; LEGRO, R.S; WHITCOMB,R.W; HANLEY, R; CHANDRA, A. MARTINEZ, G.M; MOSHER, W.D; ABMA, J.C; JONES, J. Fertility, family planning, and reproductive health of US women: data from the 2002 national survey of family growth. Vital Health Stat 23, 1–160, 2005.
CHAVARRO, J.E, et al. Carbohydrates and ovulatory infertility. European Journal of Clinical Nutrition, v. 63, pag. 78–86, 2009.
DOUGLAS, C.C; GOWR, B.A; DARNELL, B.E; OVALLE, F; OSTER, R.A; AZZIZ, R.Role of diet in the treatment of polycystic ovary syndrome. Fertil Steril, v.3, n.85, 2006.
FERESHETIAN, AG et al. Troglitazone improves ovulation and hirsutism in the polycystic ovary syndrome: a multicenter, double blind, placebo-controlled trial. J Clin Endocrinol Metab 86,1626–1632, 2001.
GARG, A; BANTLE, J.P; HENRY, R.R; COULSTON, A.M; GRIVER, K.A; RAATZ,S.K. et al. Effects of varying carbohydrate content of diet in patients with non-insulin-dependent diabetes mellitus. JAMA 271, 1421–1428, 1994.
HJOLLUND, N.H.I; JENSEN, T.K; BONDE, J.P.E; HENRIKSEN,N.E.et al.Is glycosylated haemoglobin a marker of fertility? A follow-up study of first-pregnancy planners. Hum Reprod, v.14, 1478–1482, 1997.
HULL, M.G; GLAZENER, C.M; KELLY N.J; CONWAY D.I; FOSTER P.A; HINTON, R.A et al. Population study of causes, treatment, and outcome of infertility. Br Med J 291, 1693–1697, 1985.
JEPPESEN, J; SCHAAF, P; JONES, C; ZHOU, M; CHEN, Y; REAVEN, G. Effects of low-fat, high-carbohydrate diets on risk factors for ischemic heart disease in postmenopausal women. Am J Clin Nutr ,v. 65, 1027–1033, 1997.
MURAKAMI, K; SASAKI, S; TAKAHASHI, Y; OKUBO, H; HOSOI, Y; HORIGUCHI, H. et al. Dietary glycemic index and load in relation to metabolic risk factors in Japanese female farmers with traditional dietary habits. Am J Clin Nutr 83, 1161–1169, 2006.
VRBIKOVA, J et al. Insulin sensitivity and b-cell function in women with polycystic ovary syndrome. Diabetes Care 25, 1217–1222, 2002.
The Diabetes Prevention Program Research Group. Role of insulin secretion and sensitivity in the evolution of type 2 diabetes in the iabetes prevention program: effects of lifestyle intervention and metformin. Diabetes 54, 2404– 2414, 2005.
Mais de 7 milhões de mulheres nos EUA têm uma capacidade diminuída para ter filhos e, em 2025, espera-se que quase 8 milhões de mulheres enfrentem esse problema (CHANDRA et al., 2005).
Tecnologias de reprodução assistida foram desenvolvidas para superar a infertilidade, mas o alto custo deste tratamento torna-o menos acessível para tratar a infertilidade na maioria da população. Deste modo, é importante identificar fatores de risco modificáveis para impedir a infertilidade.
Diversas evidências sugerem que a resistência à insulina pode ser um determinante importante da função ovulatória e na fertilidade (HJOLLUNDj et al., 1999; AZZIZ et al., 2001; VRBIKOVA et al.2002; Diabetes Prevention Program Research Group, 2005).
Alguns fatores como sobrepeso, obesidade e sedentarismo que estão relacionados diretamente com a resistência a insulina, têm sido associados ao aumento do risco de infertilidade devido a disfunção da ovulação, pois a resistência à insulina, faz com que o corpo se torne insensível à insulina que produz, levando a elevados níveis circulantes de insulina. Este, por sua vez, provoca desequilíbrios hormonais, como aumento da testosterona e outros andrógenos, associados com Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP). O desequilíbrio hormonal leva à sintomas de SOP como a menstruação irregular, esterilidade, excesso de manchas da pele facial e pêlos, acne e perda de cabelo , assim como pode impedir a ovulação, tornando impossível engravidar (GARG et al., 1994; DOUGLAS et al., 2006).
Sabe-se que a qualidade e a quantidade de carboidratos na dieta influencia no metabolismo da glicose, na demanda ou resistência à insulina em indivíduos saudáveis bem como bem como em diabéticos e mulheres com síndrome dos ovários policísticos (SOP) (JEPPSEN et al., 1997; MURAKAMI et al., 2006; GARG et al., 1994; DOUGLAS et al., 2006).
Chavarro, et al.,(2009), observaram que a ingestão de carboidratos com alta carga glicêmica e o índice glicêmico da dieta foram positivamente relacionados à infertilidade ovulatória e também que o alto consumo desses alimentos é uma condição presente entre as mulheres nulíparas (sem filhos). Hjollund et al., (1999) associaram a diminuição da fertilidade com níveis mais elevados de hemoglobina glicosilada e encontraram características metabólicas semelhantes nessas mulheres com mulheres com SOP, com diabetes tipo II, sobrepeso e obesidade.
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Outra influencia na alimentação é o consumo de gorduras trans que também tem sido associada à maior inflamação, resistência à insulina, e o risco de diabetes tipo 2 (DOUGLAS, et al. 2006).
Ajustes adequados na alimentação podem diminuir os níveis de insulina e melhorar muitos sintomas da SOP. Dieta com baixa quantidade de carboidratos, e o consumo de alimentos com baixo índice glicêmico é importante para melhorar a resistência à insulina e consequentemente problemas como a infertilidade (DOUGLAS, et al. 2006).
Portanto, diagnosticar e tratar a resistência à insulina pode ser uma chave na regulação da função ovulatória e na fertilidade em mulheres saudáveis.
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