Tratamento Nutricional em Pacientes com Anorexia Nervosa

A anorexia nervosa é um distúrbio alimentar grave, complexo e com alto grau de mortalidade, na qual o indivíduo se recusa em manter um peso minimamente normal para a idade e altura. É acompanhado por complicações clínicas relacionadas ao estado nutricional, que podem ser agravadas devido à demora no diagnóstico e início do tratamento, por não serem aceitas ou escondidas pelo paciente. Por isso, o tratamento nutricional é importante, pois visa o restabelecimento do peso, normalização do padrão alimentar, da percepção de fome e saciedade e correção das seqüelas biológicas e psicológicas da desnutrição.

O ganho de peso deve ser controlado, a fim de reduzir a ansiedade do paciente quanto ao aumento de peso e permitir que o trato gastrointestinal se adapte à realimentação. Para isso, inicia-se uma ingestão calórica entre 30 a 40 kcal/kg/dia, podendo atingir até 70 a 100 kcal/kg/dia com a progressão do tratamento. A proporção de macro e micronutrientes deve ser igual às recomendações para populações saudáveis. Para garantir o cumprimento dessas recomendações, o nutricionista pode orientar suplementos nutricionais.

Com essas orientações, espera-se que ocorra ganho de peso de 900 g a 1,3 kg/semana para pacientes internados em enfermaria e 250 g a 450 g/semana para pacientes de ambulatório, apesar de alguns autores verificarem que um ganho de peso de 720 g por 4 dias seja mais seguro, pois não causa a síndrome da realimentação.

Há alguns casos em que o paciente não consegue atingir as necessidades nutricionais somente pela via oral. Nesse momento, avalia-se a utilização primeiramente da nutrição enteral, posteriormente da nutrição parenteral. Porém, os riscos associados a esse suporte nutricional incluem hipofosfatemia, edema, falência cardíaca, aspiração da fórmula enteral e morte.

Segundo a Associação Dietética Americana (ADA), o nutricionista tem papel fundamental dentro da equipe multidisciplinar que tratará desses pacientes, pois é quem realizará a intervenção e educação nutricional. Os pacientes com transtorno alimentar (TA) desejam que esse profissional seja flexível, que entenda seus medos sobre alimentação e peso, saiba o que é um TA, trabalhe em um passo que eles possam alcançar; que faça comentários sensíveis, seja paciente, cuidadoso e que não julgue; que tenha experiência com pessoas com TA, seja otimista e esperançoso sobre a recuperação e que trabalhe com ele mais de modo colaborativo do que controlador.

Leia a entrevista com Fernanda Baeza Scagliusi, coordenadora da equipe de nutricionistas do Ambulim

Leia a Posição da ADA: intervenção nutricional no tratamento da anorexia nervosa, bulimia nervosa e desordens alimentares não especificadas

Anorexia não é doença exclusivamente feminina


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