Anemia Causada Pelo Esporte
Porém, a deficiência de ferro decorrente da má alimentação pode levar o atleta à anemia. Isso ocorre principalmente com a população feminina, pois fisiologicamente os homens perdem menos ferro que as mulheres (NAGASHIMA; CLINE, 2000).
Entendendo a fisiologia da anemia em atletas
Os exercícios agudos e vigorosos reduzem o volume plasmático em 10 a 20% por três vias.
Com o aumento da pressão sanguínea aumenta a compressão muscular sobre as vênulas, que por sua vez, aumentam a pressão dos líquidos dentro dos capilares para ativar a musculatura.
Na formação de ácido lático e outros metabólitos nos músculos, aumentam a pressão osmótica dos tecidos.
Essas duas situações fazem com que ocorra à saída do plasma do sangue para os tecidos, conservando os glóbulos vermelhos. Depois, a água sai do plasma e é eliminada através do suor (NAGASHIMA; CLINE, 2000).
III. Para compensar e manter os níveis de água e sal normais, o organismo libera hormônios como: renina, aldosterona e vasopressina. Também ocorre uma adição de albumina no sangue. Com isso, há um aumento do volume plasmático (NAGASHIMA; CLINE, 2000).
Consequentemente ocorre uma diminuição na concentração de hemoglobina sérica da ordem de 1g/dL ou mesmo de 1,5g/dL comparativamente com os níveis normais. O diagnóstico de uma pseudo-anemia depende do conhecimento da capacidade aeróbia (determinada ao nível do mar) excluindo a possível presença de outro tipo de anemia. O volume plasmático preenche rapidamente os espaços criados pelo nível de exercício. Os atletas que treinam em alta intensidade apresentam níveis mais baixos de hemoglobina e quando os exercícios são interrompidos esse nível se eleva rapidamente (EICHNER, 1996).
Para saber se essa baixa concentração de hemoglobina é a causada pelo exercício ou deficiência de ferro, é importante outras análises clínicas e nutricional. Além disso, o único meio de se certificar de que a concentração limítrofe de hemoglobina em um indivíduo seja realmente anemia verdadeira, é comparando-a com o valor normal (mínimo) dessa pessoa (EICHNER, 1996).
Portanto, aparentemente, esse aumento no plasma sanguíneo é uma adaptação benéfica ao exercício aeróbico, pois apesar do atleta ter uma maior quantidade de sangue, este apresenta baixa viscosidade, ajudando no transporte de oxigênio à musculatura (RIETJENS ET AL, 2002).
Referências Bibliográficas:
GHORAYEB N, BARROZ T. O exercício: preparação fisiológica, avaliação médica – aspectos especiais e preventivos. São Paulo; Atheneu, 1999.
EICHNER, E.R. Anemia do Esportista.: Terminologia inadequada para um fenômeno real. Sports Science Exchange. Gatorade Sports Science Institute. Nutrição no esporte, no8. Traduzido e adaptado do original em inglês: Vol. 1(6), 1996.
NAGASHIMA K, CLINE GW. Effects of blood donation on exercise performance in competitive cyclists. Am Heart J. 2000; 130:838-40).
RIETJENS G.J.W.M. et al. Red Blood Cell Profile of Elite Olympic Distance Triathletes. A Three-Year Follow-Up Int J Sports Med. Vol. 23: p.391.396, 2002.
Equipe RGNUTRI
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