Como deve ser feito o tratamento nutricional em lactentes com refluxo gastroesofágico?


O refluxo gastroesofágico (RGE) é a passagem do conteúdo gástrico para o esôfago com ou sem regurgitação ou vômito. Este processo fisiológico ocorre normalmente nos primeiros meses de vida, mas também é identificado em outras faixas etárias. Gealmente, são indivíduos saudáveis, no período pós-prandial, com duração inferior a três minutos e deve ser assintomático (ou apresentar a regurgitação como único sintoma característico).

Autor(a):       Iara Waitzberg Lewinski

Quando o RGE causa sintomas indesejados e complicações que comprometem o estado clínico geral do paciente (decorrente de um distúrbio funcional do trato digestório proximal ou de alterações metabólicas, neurológicas ou alérgicas, por exemplo), é chamado de doença do refluxo gastroesofágico (DRGE).

Lactentes que apresentam vômitos frequentes e baixo ganho de peso devido ao RGE ou à doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) podem se beneficiar com o uso de fórmulas infantis a base de proteínas hidrolisadas (a fim de eliminar a hipótese de alergia ao leite de vaca), aumento da densidade calórica das fórmulas e/ou o espessamento das mesmas com, por exemplo, maisena ou farinha de arroz. Os sintomas tendem a melhorar dentro de duas semanas. Também se recomenda o posicionamento da cabeceira elevada a 30 graus e manutenção da criança ereta no período pós-prandial.

A redução do volume de leite ofertado pode ajudar a minimizar a frequência dos refluxos, entretanto, uma grande redução durante um período prolongado poderá privar a criança de suas necessidades energéticas e afetar seu ganho de peso. Nesse caso, estas crianças podem se beneficiar com o aumento da densidade calórica das fórmulas, quando a diminuição do volume ou da frequência da alimentação fizer parte da terapia. Por outro lado, o espessamento prolongado pode representar excesso de ingestão energética.

Devido a estes motivos, um cuidadoso acompanhamento dos sintomas, mudanças de peso e ingestão calórica devem ser feitos para avaliar a intervenção nutricional. Se a regurgitação e ganho de peso inadequado persistirem mesmo após a adequação de volume e energia da dieta, o uso de sonda nasogástrica ou nasojejunal pode ser necessário.

Vale à pena ressaltar que o tratamento do RGE começa com a orientação adequada aos pais, já que na maioria das vezes a regurgitação costuma cessar próximo aos 12 – 14 meses de idade nas crianças saudáveis.
 

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Este artigo foi retirado do site: NUTRITOTAL
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