Emulsão parenteral a base de óleo de peixe melhora prognóstico em SIC neonatal

Estudo retrospectivo canadense comprovou que crianças com síndrome do intestino curto (SIC) e disfunções hepáticas relacionadas à nutrição parenteral apresentaram melhora do quadro de hiperbilirrubinemia (alta concentração de bilirrubina no sangue) quando receberam ácidos graxos ômega-3 na emulsão parenteral.

O critério para o início da terapia nutricional parenteral com ômega-3 foi a presença de doença de fígado associada à nutrição parenteral (PNALD – do inglês parenteral nutrition associated liver disease) - que é a complicação mais frequente em crianças com SIC em estado grave, definida por bilirrubina sérica > 100 µmol/l (ou 5,9 mg/dl).

A seleção de crianças com SIC foi feita da seguinte forma: crianças que sofreram ressecção de intestino e permaneceram recebendo nutrição parenteral (NP) por 42 dias no pós-operatório ou que apresentaram comprimento intestinal inferior ao 25º percentil para a idade gestacional.

Doze crianças com SIC e PNALD grave foram incluídas no estudo, com idade média de 7,5 meses. No momento da inclusão no estudo, todas as crianças estavam na lista para transplante de fígado ou de intestino.

Cada criança que costumava receber uma emulsão parenteral a base de soja, com predominância de ácidos-graxos ômega-6, teve sua prescrição de NP alterada para 1,5 g/Kg de emulsão w-6 e 0,5 g/Kg de emulsão w-3 durante uma semana, para assegurar a tolerância à emulsão w-3 e, após este período, passaram a receber 1 g/Kg da emulsão w-6 e 1 g/Kg da emulsão w-3. Em caso de consenso entre a equipe médica que o PNLAD não mostrou melhoras ou piorou, a emulsão w-6 foi reduzida ou descontinuada.

“Esta quantidade de NP fornecia a razão de ácidos-graxos ômega-6 / ômega-3 entre 1:1 e 2:1, que é a razão ótima para o alcance de efeitos antiinflamatórios, além de ser a composição lipídica mais parecida com o leite materno. Para nós, a administração deste mix de lipídios faz mais sentido, fisiologicamente falando, do que quando a fonte lipídica é composta apenas de ácidos-graxos ômega-6 ou ômega-3”, dizem os autores.

O valor médio de bilirrubina sérica era 137 µmol/l (ou 8,06 mg/dl) e, após 24 semanas de tratamento com a emulsão w-3, nove crianças apresentaram diminuição da hiperbilirrubinemia (quatro enquanto recebiam NP com lipídios provenientes da emulsão w-6 e emulsão w-3 e cinco após a descontinuação da emulsão w-6), voltando a valores dentro da faixa de normalidade. Durante o mesmo período essas crianças também apresentaram redução da inflamação hepática (transaminases séricas) e aumento de albumina sérica.

Com o acompanhamento médio de 31 semanas desde a queda da hiperbilirrubinemia, todos os pacientes permaneceram bem, sem evidências clínicas de PNALD, e foram retirados da lista de transplante de fígado.

“Mesmo quando a emulsão w-3 foi administrada com a emulsão w-6, a dose total de lipídios era de 2 g/Kg, que é mais baixa do que a quantidade normalmente administrada em soluções padrões de NP (2 a 3 g/Kg). Sendo assim, poderíamos argumentar que a melhora da PNALD aconteceu devido à diminuição da dose de lipídios em geral e não devido à oferta lipídica alternativa. Embora saibamos que isto possa ser verdade, baseados na dramática diminuição da hiperbilirrubinemia, acreditamos firmemente que o fator mais importante para estes resultados foi a adição de ômega-3 à emulsão parenteral”, dizem os autores.

Como conclusão, os autores acreditam que “os ácidos graxos ômega-3 têm potencial para alterar o paradigma da SIC neonatal de morte prematura ou transplante por falência hepática. Assim, mais crianças com SIC terão mais tempo de vida para receber enxertos de intestino quando mais velhas”.

Data: 09/10/2009
Autor(a): Iara Waitzberg Lewinski
Fotógrafo: Camila G. Marques

Bibliografia(s)
Diamond IR, Sterescu A, Pencharz PB, Kim JH, Wales PW. Changing the paradigm: Omegaven for the treatment of liver failure in pediatric short bowel syndrome. JPGN. 2009;48(2):209-15.
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